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O que levaria um psicólogo a varrer ruas por dez anos junto aos garis da Cidade Universitária, em São Paulo?
No caso de Fernando Braga da Costa, um desejo irrefreável por um mundo mais humano. Ao conviver com esses homens, submetidos às mais duras condições de vida, aos mandos e desmandos de chefes e encarregados, Fernando escancara a brutalidade e a beleza do mundo dos oprimidos.
Revela-nos - apesar de tudo, poeticamente - como esses homens tornam-se “invisíveis” para todos os outros - condição que o psicólogo viveu na carne.
Quem sofre com a “invisibilidade pública” tem sua própria humanidade ignorada. É visto como “coisa”, mera ferramenta de trabalho a quem se dá ordens. Este é um livro que ultrapassa o interesse estritamente acadêmico: é leitura essencial para todos os que nutrem o desejo por uma sociedade entre iguais. E surpreende. Fernando nos mostra, por exemplo, que os garis podem e sabem refletir sobre sua condição humana. O autor confessa já não mais escrever com papel e caneta.
Hoje, seus instrumentos são outros: pás e enxadas, picaretas e vassouras.
Foi ensinado por aqueles que verdadeiramente sabem. Trabalhadores. Os garis. Sujeitos que escreveram nele.
Mas também por ele. E, por intermédio dele, neste documento histórico, os garis escrevem em todos nós.
Gustavo Martineli Massola
Livre Docente - IPUSP
Psicanálise e Marxismo são duas ferramentas poderosas para as necessárias interpretações de nossa complexa realidade psicossocial. Como correntes de pensamento, são linhas paralelas, em sua mais precisa definição: duas retas que nunca se encontram a não ser no infinito. Por essa razão, é que depoimentos de explorados e oprimidos contribuem decisivamente para o enfrentamento que pretendemos empreender. É essa gente que enxerga mais longe quando pode falar livremente, sem os ruídos da ideologia dominante. São essas pessoas – posicionadas na nervura central do antagonismo de classes – que, ouvidas profunda e atentamente, chancelam a acuidade de nossas hipóteses e corroboram nossas teses, sempre imperfeitas e imprecisas se não contarem com a opinião de gente trabalhadora. Psicanálise e Marxismo, então, se entrelaçam como caules de duas plantas distintas, mas que unidas se desenvolvem, fortalecendo e sustentando mutuamente uma à outra, erguendo-se aos nossos olhos, regadas pelo olhar de gente humilde e invisibilizada.
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